O futuro da moda é circular: quando o second-hand ganha espaço dentro das próprias marcas
- inpact5
- 11 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 12 de jan.

Quem disse que moda boa é apenas moda nova?
O universo second-hand — antes restrito a brechós e plataformas alternativas — conquistou definitivamente o vocabulário do luxo e do prêt-à-porter. Hoje, não se trata mais de um nicho, mas de uma estratégia oficial que está redesenhando a forma como consumimos e, sobretudo, como nos relacionamos com as roupas.
Se antes o garimpo era um gesto solitário em endereços escondidos, agora as próprias grifes estão abrindo espaço para peças com história dentro dos seus canais de venda. A lógica é simples e poderosa: prolongar a vida útil do guarda-roupa, dar novo fôlego a clássicos e criar uma moda que circula não apenas entre temporadas, mas entre gerações.
Um dos casos mais emblemáticos é o Zara Pre-Owned, já em funcionamento em diversos países. No próprio aplicativo da marca, consumidores podem vender, doar ou consertar peças compradas na Zara. É a gigante do fast fashion reposicionando-se como agente ativo de circularidade, ao oferecer conveniência digital e o selo oficial da marca para dar legitimidade ao processo.
Na seara do denim, a Levi’s foi pioneira com o Levi’s SecondHand: o programa que compra jeans usados, os restaura e os recoloca em circulação. O resultado vai além da estética! Cada 501 ganha camadas de memória, estilo e autenticidade, provando que a moda atemporal não se mede apenas em costura, mas em histórias vividas.
Já a COS, do grupo H&M, apresenta o COS Resell, plataforma que conecta diretamente consumidores interessados em revender ou adquirir peças da marca. A proposta une tecnologia, curadoria e confiança, reforçando o compromisso da etiqueta minimalista com longevidade e responsabilidade.
Mais do que ações de marketing, tais iniciativas representam um reposicionamento cultural. Respondem a uma nova geração de consumidores que exige sustentabilidade, transparência e propósito, mas também transformam a experiência de compra em comunidade — onde cada peça é símbolo de pertencimento, consciência e estilo.
No fim das contas, o novo status symbol não está em possuir o mais recente lançamento, mas em saber circular, reinventar e prolongar a vida das peças que já fazem parte do nosso repertório. O closet do futuro, afinal, já está aqui: dentro da própria loja que você frequenta, só que agora recheado de histórias para contar.


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