O Hype que Naufragou: as tendências que ficaram pelo caminho em 2025
- inpact5
- 23 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 12 de jan.

Aconteceu de novo!
2025 foi o ano em que a internet provou, mais uma vez, que tem a capacidade emocional de um hamster com café: hiperativa, impulsiva e com uma memória seletiva assustadora.
Um dia estávamos todos vestidos de Barbiecore, a engolir rosa-choque até nos filtros do Instagram. No outro, era quase proibido admitir que um dia pensamos em comprar um outfit full pink para “homenagear o momento cultural”. E depois veio o Labubu, o boneco que custava mais que uma renda em Lisboa — e cujo hype caiu mais rápido do que o preço da gasolina em dia de promoção.
Um símbolo perfeito do nosso tempo: pagar caro por algo que amanhã já não diz nada a ninguém.
2025 foi o ano da ascensão e implosão das microtendências.E, sinceramente? Para a maioria… ainda bem.
Barbiecore: o hype que se afogou no próprio glitter
Durante meses, ninguém respirou. Tudo era rosa — looks, editoriais, eventos, posts, moodboards, marcas inteiras. Até quem detestava rosa foi emocionalmente encurralado a “entrar no vibe”.Mas como todo hype que cresce rápido demais, esse também afundou.
Por quê?
Porque ninguém aguenta uma estética tão alta manutenção por muito tempo. Porque a vida real não combina com ser um marcador fluorescente ambulante. E porque a internet tem uma necessidade biológica de matar tudo que vira mainstream.
Lição: quando uma tendência explode rápido demais, as chances são altas do fim já está marcado no calendário.
Labubu: o brinquedo que virou investimento até deixar de ser
O Labubu foi talvez o maior símbolo do consumo irracional de 2025.Filas, leilões, revenda, especulação. Parecia Bitcoin em forma de boneco. Mas quando o hype passou, veio a realidade:
Cópias idênticas que se tornaram difícil diferenciar
Ninguém queria comprar nem por metade do preço
Coleções perderam valor
O mercado saturou
O que parecia um “ativo” virou um descanso de pó premium — caro, silencioso e com expressão permanente de quem também não sabe porque custava tanto.
Lição: quando o desejo não vem da utilidade, mas da FOMO (Fear of Missing Out, ou seja, o medo de ficar de fora), o naufrágio é certo.
Copo Térmico Estético 4.0: o produto que evaporou do mapa
Se 2023 teve as Stanleys e 2024 teve as dupes, 2025 trouxe o Copo Térmico Estético 4.0 — uma espécie de Santo Graal do TikTok que prometia manter tudo gelado, quente, morno, brilhante, instagramável e emocionalmente equilibrado.
Trinta dias depois? Ninguém lembrava.
Assim desapareceram:
o “clean fit” que deixou de ser clean na segunda lavagem
os acessórios maximalistas que pesavam mais que a autoestima do consumidor
as paletas estéticas impossíveis, tipo Almond Mom Beige ou Corporate Mermaid
O algoritmo cria, o algoritmo destrói.
E nós? Corremos atrás até perceber que estamos sempre uma tendência atrasados.
Lição: microtendência não é estilo, é ruído.
A estética do “unboxing infinito”
O hype passageiro não é só um fenômeno que atinge os produtos, o conteúdo também sofre com ele. 2025 também foi o ano em que o público começou a cansar dos vídeos de unboxing que pareciam mais eventos cinematográficos do que consumo real.
As pessoas finalmente fizeram as contas:
Ninguém precisa de 27 perfumes
15 pares de ténis não mudam a vida
Um haul semanal não é lifestyle, é vício ou mentira
O hype morreu porque percebemos que excesso não é aspiracional, é barulho e muitas vezes dexconexo da realidade.
Lição: hype sem propósito transforma o consumidor no protagonista de um reality show financeiro e afasta o público do lado humano do seu conteúdo.
O ciclo da internet: amar → saturar → odiar → fingir que nunca existiu
O que naufragou em 2025 não foram só tendências.Foi a nossa paciência coletiva.
Chegamos ao limite do:
“tudo é tendência”
“tudo é viral”
“tudo é conteúdo”
“tudo é um momento imperdível”
E quando tudo é hype… nada é especial.
Então, o que fica?
Num mar de tendências instantâneas, 2025 mostrou que o hype é um barco frágil.
Bonito de ver, divertido de entrar, mas condenado a afundar.
O que realmente sobrevive?
Qualidade
Identidade
Humanidade
Estilo duradouro
Peças com propósito
Marcas que constroem, não que explodem
Estética que não precisa pedir desculpa daqui a 6 meses
2026 não precisa de mais um Labubu.
Nem de outra estética cor-de-rosa fluorescente.
Nem de mais um “copo revolucionário”.
2026 precisa daquilo que não é descartável:
Cultura e critério.


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