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Como monetizar com a cor do ano (sem transformar tendência em prejuízo)

Atualizado: 12 de jan.


Durante anos, fomos levados a acreditar que usar a cor do ano é um sinal claro de atualização e relevância. Uma prova de que a marca está atenta ao que acontece no mundo, mas essa leitura é superficial.


A cor do ano da Pantone nunca foi apenas sobre cor: ela é um reflexo de um momento da sociedade, de uma energia coletiva e de uma necessidade emocional do presente. A cor é apenas a tradução visual de algo muito maior.


O problema começa quando essa camada cultural é ignorada e substituída por pressa — pressa em parecer atual, pressa em não ficar de fora, pressa que custa dinheiro.Aderir a uma tendência sem compreender o contexto social e emocional que ela representa não é estratégia, é risco mal calculado. E risco mal calculado, no branding e no negócio, quase sempre vira custo.



Quando a cor do ano vira prejuízo


Para entender como monetizar a cor do ano, é preciso antes reconhecer quando ela faz exatamente o oposto. Um exemplo que o mercado prefere esquecer aconteceu em 2018, quando a Pantone anunciou o Ultra Violet como cor do ano. O discurso era forte: inovação, espiritualidade, futuro, imaginação — uma resposta clara a um mundo em busca de sentido e introspecção.


A adesão foi imediata e massiva. Moda, beleza, embalagens e campanhas foram rapidamente tingidas de roxo. O retorno, porém, foi fraco. A cor desapareceu quase tão rápido quanto surgiu, não porque fosse difícil, mas porque foi aplicada sem tradução estratégica.

Seguiu-se a tendência estética, mas ignorou-se o momento cultural que ela tentava expressar. O resultado foi estoque parado, comunicação datada e prejuízo financeiro.

 


Tendência não é instrução de uso


Esse erro nasce da ideia de que tendência funciona como instrução de uso. Muitas marcas trataram a cor do ano como um manual técnico: “isto deve ser aplicado”. Na realidade, a cor do ano é apenas um sinal cultural de que algo está a mudar no comportamento, nas tensões e nos desejos da sociedade — mas ela não diz o que cada marca deve fazer com isso.


O Ultra Violet exigia interpretação profunda e recebeu aplicação automática. Sempre que a cor entra no produto antes de entrar na estratégia, ela deixa de ser um ativo e passa a ser um custo.

 


Quando a cor não respeita o produto, o produto perde autoridade


Isso acontece porque cor não é acabamento, é linguagem. Quando uma marca aplica uma cor que não faz parte do seu vocabulário, que não dialoga com os hábitos do seu público ou que não envelhece bem no uso, ela não parece ousada, parece insegura. E insegurança não sustenta preço; empurra para desconto.

 


O verdadeiro risco não é errar a cor.

É errar o motivo.


O sucesso recente do iPhone em tom laranja “desert” mostra exatamente o caminho oposto. A Apple não lançou uma “cor tendência”; foi, na verdade, na contramão dela. Em vez de responder ao hype, respondeu a um desejo silencioso do seu tempo: menos brilho, mais materialidade, mais permanência. Um reflexo de uma sociedade cansada de excessos visuais e estímulos constantes. Não houve grande anúncio nem explicação. Houve leitura de comportamento. A cor não pediu atenção; gerou adesão — e isso muda tudo.


 

Onde a cor começa a gerar dinheiro (e não só conversa)


A cor do ano só começa a gerar dinheiro quando ajuda o consumidor a decidir, não quando tenta impressioná-lo. Isso acontece quando a marca entende que a cor é um atalho emocional para uma necessidade social — e não um adorno visual.


Na prática isso se traduz de algumas formas claras:

  1. Quando a cor aumenta o ticket, e não apenas o catálogo. Ela entra em produtos de maior valor percebido, como critério de upgrade, e passa a justificar preço em vez de disputar atenção.

  2. Quando a cor vira uma edição com lógica de permanência. Não é limitada porque vai acabar, mas porque faz sentido agora e depois. Isso reduz arrependimento, diminui devoluções e aumenta a confiança na compra.

  3. Quando a cor é vendida primeiro no conteúdo. Marcas que monetizam tendência educam antes de vender. Explicam quando usar, quando não usar, com o que combina e por que não vai parecer datada. Quem entende, compra melhor — e aceita pagar mais.

  4. Quando a cor é usada para filtrar público, e não para agradar todos. Nem toda tendência é para todos. Quando a cor funciona como sinal de pertencimento, ela afasta alguns, mas fideliza os certos. Menos volume. Mais margem.


 

O que a Incult defende


Na Incult, acreditamos que tendência sem contexto vira custo, estética sem cultura vira ruído e cor sem intenção vira desconto.


Não seguimos a cor do ano. Deciframos o que ela diz sobre o mundo — sobre o momento social, a energia coletiva e as necessidades emocionais do presente — e só depois decidimos se pertence à marca, ao produto e ao negócio.


Porque nem toda tendência é oportunidade. Algumas são armadilhas bem embaladas.

 

Quer saber se, no seu caso, isso gera margem ou prejuízo?


Na Incult, oferecemos uma consultoria breve e estratégica para analisar exatamente isso. Em uma conversa direta, avaliamos:

  • o seu posicionamento

  • o seu produto ou serviço

  • o comportamento do seu público


Para então definir se, onde e como a cor do ano pode ser usada para gerar valor real não ruído no seu negócio.


Sem aplicação automática.

Semfórmulas prontas.

Sem desperdiçar orçamento.

 

Impacto chama atenção, mas cultura sustenta valor.

 

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